Concílio de Niceia: Conflito, Doutrina e a Construção de uma Ortodoxia Cristã
Abstract
O artigo analisa o Concílio de Niceia como um marco fundamental na transição do cristianismo de religio ilicita para uma estrutura doutrinária e jurídica integrada ao Império Romano. Convocado pelo imperador Constantino I em 325 d.C., o evento visava restaurar a unidade imperial e eclesiástica, ameaçada por divergências disciplinares, como o cisma meleciano no Egito, e conflitos teológicos. O ponto central da disputa foi a questão ariana, que debatia a natureza da relação entre Deus Pai e Deus Filho. Enquanto Ário defendia a subordinação do Filho como uma criatura, o "niceísmo" estabeleceu a consubstancialidade (homoousios) entre ambos, transformando dogmas teológicos em leis imperiais. Além da doutrina, o Concílio buscou uniformizar práticas como a data da Páscoa e organizar a disciplina do clero através de cânones. O texto desmistifica a ideia de que Niceia criou novas doutrinas ou o cânone bíblico, apresentando-o, antes, como um processo político-religioso contínuo. A vitória da “ortodoxia nicena” não foi imediata nem monolítica, exigindo décadas de debates posteriores em busca da sua consolidação.
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