Concílio de Niceia: Conflito, Doutrina e a Construção de uma Ortodoxia Cristã

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Resumo

O artigo analisa o Concílio de Niceia como um marco fundamental na transição do cristianismo de religio ilicita para uma estrutura doutrinária e jurídica integrada ao Império Romano. Convocado pelo imperador Constantino I em 325 d.C., o evento visava restaurar a unidade imperial e eclesiástica, ameaçada por divergências disciplinares, como o cisma meleciano no Egito, e conflitos teológicos. O ponto central da disputa foi a questão ariana, que debatia a natureza da relação entre Deus Pai e Deus Filho. Enquanto Ário defendia a subordinação do Filho como uma criatura, o "niceísmo" estabeleceu a consubstancialidade (homoousios) entre ambos, transformando dogmas teológicos em leis imperiais. Além da doutrina, o Concílio buscou uniformizar práticas como a data da Páscoa e organizar a disciplina do clero através de cânones. O texto desmistifica a ideia de que Niceia criou novas doutrinas ou o cânone bíblico, apresentando-o, antes, como um processo político-religioso contínuo. A vitória da “ortodoxia nicena” não foi imediata nem monolítica, exigindo décadas de debates posteriores em busca da sua consolidação.

Biografia do Autor

Andréia Rosin Caprino Taborda, Universidade Federal do Paraná

Graduada em História, Licenciatura e Bacharelado pela UFPR.

Mestra em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Paraná

Doutora em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Paraná

Pós-Doutoranda em História pelo Programa de Pós-Graduação em His´tória da Universidade Federal do Paraná

Pesquisadora do Núcleo de Estudos Mediterrânicos da Universidade Federal do Paraná

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Publicado

2026-04-10

Como Citar

Caprino Taborda, A. R. (2026). Concílio de Niceia: Conflito, Doutrina e a Construção de uma Ortodoxia Cristã. Revista Diálogos Mediterrânicos, 2(29), 20–35. Recuperado de https://dialogosmediterranicos.com.br/RevistaDM/article/view/506

Edição

Seção

Dossiê "Concílios e cristianismos. Mobilidades, religiosidades e espiritualidade na Antiguidade e na Idade Média".